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Medici Assessoria

Fabio Medici • 18 de novembro de 2022

Genética e Desempenho Esportivo


A busca pelo entendimento do desempenho esportivo envolve diversos fatores, dentre eles está o entendimento das variáveis genéticas.


São inúmeros os genes que influenciam as características morfológicas, fisiológicas e metabólicas nas mais diversas modalidades esportivas.


A partir da conclusão do projeto genoma humano em 2001 identificou-se que:


  • O genoma humano é constituído por mais de três bilhões de pares de bases;
  • Destes apenas 5% representam regiões que codificam proteínas;
  • E o que é mais incrível 99,9% do genoma é idêntico entre todos os seres humanos, ou seja, todas as nossas diferenças individuais é explicada pelos 0,1% restantes.


Para estas diferenças são presentes os chamados polimorfismos de um único gene, ou seja, modificações de um nucleotídeo na região codificante do nosso DNA que quando é expressa faz com que seja formado um RNA mensageiro que irá expressar uma isoforma distinta de uma proteína.


Dentre os diversos genes e consequentemente proteínas presentes no nosso corpo podemos destacar a proteína alfa-actinina 3 (ACTN-3), proteína está presente exclusivamente nas fibras musculares esqueléticas de contração rápida, fibras do tipo IIB.


Diversos trabalhos avaliam a presença do chamado polimorfismo para ACTN-3 em que indivíduos com a chamada inserção-inserção, expressão o máximo possível da capacidade de formação de ACTN-3 podem ter maior probabilidade para desenvolvimento de força e potência. Enquanto que indivíduos com o polimorfismo deleção-deleção, não terão a expressão deste gene e consequentemente a não presença da proteína ACTN-3 também é estudada no desempenho esportivo, só que desta vez de endurance.


Um importante ponto é que quando falamos de genética e desempenho esportivo, temos reconhecidamente cerca de 50 genes que influenciam o desempenho esportivo, ou seja, a análise do desempenho esportivo é uma análise poligênica (muitos genes) e não de apenas um. Em contrapartida quando falamos de outras condições como a obesidade, por exemplo, são conhecidos mais de 100 genes, o que torna a área de genética e desempenho esportivo uma área, apesar de todos os estudos, ainda muito promissora.



Para quem quiser saber mais sobre o assunto:



ARTIOLI, G. G.; Pasqua, L. A.; LOTURCO, I.; LORENZETI, F. M.; TRITTO, A. C.; PIRES, R.; PAINELLI,

V. S.; DELLA TORRE, M.; BERTUZZI, R. C.; LANCHA JUNIOR, A. H. Association between the copy number variation polymorphism in PDLIM-3 gene and the athletic status in a brazilian cohort, 2012.


Papadimitriou ID, et al. ACTN3 R577X and ACE I/D gene variants influence performance in elite sprinters: a multi-cohort study. BMC Genomics. 2016 Apr 13;17:285. doi: 10.1186/s12864-016-2462-3. PMID: 27075997; PMCID: PMC4831144.

 

Pasqua LA, Bueno S, Artioli GG, Lancha AH Jr, Matsuda M, Marquezini MV, Lima-Silva AE, Saldiva PH, Bertuzzi R. Influence of ACTN3 R577X polymorphism on ventilatory thresholds related to endurance performance. J Sports Sci. 2016;34(2):163-70. doi: 10.1080/02640414.2015.1040823. Epub 2015 May 5. PMID: 25939605.

Fábio Medici Lorenzeti,

Diretor e treinador na Medici Assessoria Esportiva.

Diretor técnico da Liga de Desportos de Rendimento e de base da capital, vale do paraíba e litoral norte (LIDER) 

Mestre em Ciências (EEFE-USP, Lab. de nutrição e metabolismo aplicado a atividade motora)
Autor dos livros: Nutrição e Suplementação Esportiva: aspectos metabólicos, fitoterápicos e da nutrigenômica (2015, Phorte); Exercício, Emagrecimento e Intensidade de Treinamento: aspectos fisiológicos e metodológicos (2013/2ª ed., Phorte); Biologia e Bioquímica: Bases aplicadas às ciências da saúde (2011, Phorte). Além de outros trabalhos científicos nacionais e internacionais.


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